CIÊNCIAS DO AMBIENTE - ECOLOGIA
3.1 - Retrospecto Demográfico
Durante as primeiras fases da história humana, mesmo até ao advento dos tempos modernos, sua população obedecia as leis gerais da ecologia (flutuações). O crescimento demográfico estava intimamente relacionado ao aumento de espaço e alimentos disponíveis que funcionavam com extrema eficácia como fatores limitantes.
Conforme se observa no gráfico, a população mundial revela uma linha quase horizontal de crescimento lentíssimo no passado, até o período 1750 – 1800, condicionada a fatores limitantes tais como a fome, a peste e a guerra. A população mundial aumentou uma taxa de 0,3% por ano, entre 1650 – 1750 e de 0,5% entre 1750 – 1850. De então para cá, uma linha quase vertical de rapidíssimo crescimento, em torno de 2% a 2,5% ao ano.
3.2 - A Revolução Industrial
A partir do último terço do século XVIII, um certo número de países sofreu a mais profunda mutação que jamais havia afetado os homens: a revolução industrial.
Progressos na agricultura, indústria e transporte melhoraram substancialmente a vida do homem no ocidente. As possibilidades de falhas nas colheitas e fome foram reduzidas com uma melhor agricultura. A mecanização da lavoura e o transporte marítimo determinaram com que fomes locais fossem menos desastrosas e proporcionaram acesso a recursos mais distantes. A melhoria nas condições sanitárias auxiliaram na redução das taxas de mortalidade, assim como o conhecimento do papel das bactérias na infecção e o advento das vacinas.
A regulamentação das horas de serviço, bem como a criação de salários, foram também características da Revolução Industrial, que determinaram melhores condições de vida.
3.3 - A Transição Demográfica
Com o transcorrer da Revolução Industrial aparece uma tendência significativa que explica aquilo que conhecemos como explosão demográfica. Constatava-se que, em torno de 1750, a mortalidade e a natalidade se equilibravam em altos níveis (30-35 e 35-40 por mil, respectivamente).
A partir de 1750 para cá, esse equilíbrio é abalado por uma diminuição acentuada na taxa de mortalidade, não acompanhada pela curva da taxa de natalidade, que só começa a baixar no início deste século, para uma nova posição de equilíbrio entre mortalidade e natalidade; desta vez, em baixo nível de ambos (10-15 e 15-20 por mil, respectivamente).
Ao descompasso entre a curva de natalidade e mortalidade, chamamos de hiato demográfico (demographic gap, e’cart demographique).
O gráfico abaixo mostra a transição demográfica ocorrida na Inglaterra e País de Gales, região da Europa noroestina, onde encontramos o primeiro epicentro das mudanças ocorridas nesta dinâmica populacional.
Na Dinamarca, na Suécia e Noruega as taxas combinadas eram de 32 por mil em 1850; por volta de 1900, tinham caída para 28 por mil. Declínios semelhantes ocorreram em toda parte, cujo fenômeno ficou conhecido como transição demográfica, que em termos gerais é ilustrado pelo seguinte diagrama teórico.
Este diagrama, com todas as fases, é válido para as nações da Europa noroestina e também para outras, tanto da Europa como da América do Norte.
Os países subdesenvolvidos, com altas taxas de crescimento populacional (em torno de 3% ao ano), principais responsáveis da atual fase da explosão demográfica, encontram-se ainda em pleno hiato demográfico. Como podemos constatar na tabela e gráfico, correspondentes à população brasileira.
Períodos Nat. Mort. Período Nat. Mort.
P/mil P/mil P/mil P/mil
1872-1890 ... 46.5 30.2 1940-1950 ... 43.5 19.7
1891-1900 ... 46.0 27.8 1950-1960 ... 43-47 11-16
1901-1920 ... 45.0 26.4 1960-1970 ... 38.0 10.0
1920-1940 ... 44.0 25.3
São causas das taxas de nascimento mais baixas em países industrializados:
É válido, na conclusão desse capítulo, uma citação de Jean Dorst:
"Não hesitamos em afirmar, desde já, que o problema do excesso populacional é o mais angustiante de todos quantos temos de enfrentar nos tempos modernos. Trata-se de um fato recente, cuja gravidade permanece ainda camuflada por um obscurantismo profundo, e do qual muito poucos estão conscientes. O excedente da população pode não só comprometer o destino da flora e da fauna selvagem, como também por em causa a sobrevivência de toda humanidade, com tudo aquilo que constitui a civilização e a dignidade do homem."
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