QUATRO GERAÇÕES DE CLICS

PAIXÃO DE QUATRO GERAÇÕES - FAMÍLIA PERPETUA OFÍCIO DE FOTÓGRAFO

Transcrito do jornal PIONEIRO - RBS  -  Por André Costamilan em 13 de março de 2004

Nova Petrópolis - Quatro gerações retratando pessoas, paisagens, fatos históricos e cotidianos. A atividade está no sangue da família do biólogo e fotógrafo Germano Schüür, 58 anos, tanto pelo lado materno como pelo paterno, desde o século 19, quando a arte ainda engatinhava.

Os primeiros clics foram realizados pelas mãos do avô, Hermann Heinemann, na cidade de Kassel, Alemanha. Seguindo esses passos, mais de 100 anos depois, Germano e os filhos Daniel, 24, e Sabine, 23, registram pessoas trajadas à moda antiga no Parque Aldeia do Imigrante, em Nova Petrópolis.

Germano folheia um álbum amarelado pelo tempo e encontra a história imortalizada no papel, mostrando uma imagem feita em 1904 pelo avô Heinemann: uma corrida de automóveis na cidade alemã de Taunus. Mais algumas páginas e vem à memória, resgatada por uma foto, a participação de Heinemann em um dos piores confrontos da humanidade, a 1ª Guerra Mundial, ocorrida entre os anos de 1914 e 1918.

Heinemann (em pé) em confraternização de 1905 - Foto: Hermann Heinemann

Conforme Germano, o avô esteve no 143º Regimento de Infantaria do exército alemão, onde realizou trabalhos fotográficos mostrando colegas em combate. Em alguns casos, os últimos combates. Depois do final do confronto, ele resolveu vir para o Brasil, em 1923.

Aqui, se estabeleceu na região das Missões, em Santo Ângelo. Nesse período, sua filha Gertrud, mãe de Germano, auxiliava nos trabalhos de "revelação" - os negativos das fotos eram de vidro. Nessa época, Gertrud conheceu Nicklaas Schüür, também descendente de alemães. Eles casaram e tiveram quatro filhos. Nicklaas, paralelamente à atividade de pintor e decorador, colocou um estúdio fotográfico no município gaúcho de Cruz Alta.

Em 1904, corrida de automóveis de Taunus  - Foto: Hermann Heinemann

Quando solteiro, Nicklaas morou nos Estados Unidos, onde trabalhou nos estúdios da MGM e da Warner Bros., como cenógrafo, em filmes dos Três Patetas, O Gordo e o Magro e Deanna Durbin. Para testar o efeito da cenografia, utilizava o recurso da fotografia. O convívio com os equipamentos do pai fascinou Germano, que ganhou uma máquina fotográfica, da marca Bieka, aos 10 anos. Mas, inicialmente, a atividade era um hobby.  - Minha vida estava totalmente voltada para a Biologia. Somente em 1985, a convite da prefeitura de Nova Petrópolis, iniciei um trabalho pioneiro no Parque Aldeia do Imigrante. Criamos a foto à moda antiga - lembra Germano.

De lá para cá, o biólogo incorporou a fotografia ao seu currículo profissional. E segue preservando a história de uma paixão centenária.

A avó, Marie, com a mãe e a tia de Germano na praça de Kassel, Alemanha, em 1908. O negativo é de vidro.

Foto: Hermann Heinemann


DUAS PROFISSÕES QUE SE COMPLETAM

Atuar em mais de uma área profissional, para o biólogo e fotógrafo Germano Schüür, não é sobrecarga. É vantagem. Afinal, ele uniu o útil ao agradável. Divide-se entre as lições que dá nas aulas para o curso superior de Fotografia e para a disciplina de Fotografia Aplicada à Biologia, na Universidade de Caxias do Sul (UCS). Morando em Caxias, nos finais de semana Germano parte com os filhos Daniel e Sabine para Nova Petrópolis, onde mantém um estúdio, no Parque do Imigrante. Lá, faz as fotos à moda antiga. Segundo ele, somente até 2000, foram fotografadas no parque pessoas de cerca de 1,3 mil cidades. Um registro interessante feito pelo profissional é de uma família que retornou 10 vezes a Nova Petrópolis para posar em trajes antigos. Tudo começou apenas com o casal. Depois, vieram os filhos pequenos. Mais tarde, todos já estavam adultos. Uma evolução imortalizada pelas lentes de Germano.

Tantos anos de história familiar, incorporados como conhecimento profissional, levaram Germano a definir assim a fotografia: É o uso de técnicas para codificar em imagem o mundo pessoal daquele que fotografa. Para tirar uma boa foto, é essencial sentir a emoção de viver e ter a criatividade de procurar os melhores recursos técnicos.

Amigos reunidos num bosque de Kassel, em 1905 - Foto: Hermann Heinemann

  

 

 

Germano Schüür - Fotos: Jefferson Botega